Défice de Atenção e Hiperatividade (PHDA)

Informação para os pais

1. Definição de PHDA

A PHDA é uma perturbação do neurodesenvolvimento, de base genética, em que estão implicados diversos fatores neuropsicólogos, que provocam no individuo alterações atencionais, impulsividade e uma grande atividade motora. Trata-se de um problema generalizado de falta de autocontrolo com repercussões no seu desenvolvimento, na sua capacidade de aprendizagem e no seu ajustamento social (Cardo & Servera-Barceló, 2005).

2. Como se diagnostica?

A própria observação no gabinete de consulta é enganadora, já que o comportamento da criança pode ser, e muito, distinto do manifestado em casa ou na sala de aula. A analise do comportamento de qualquer ser vivo deverá ser feita no seu habitat natural – no caso das crianças: a casa e a escola. Numa linguagem clínica, a avaliação deve ser ecológica.

No encontro com os pais deve procurar-se responder a 4 questões:

  1. Tem ou não, esta criança, maior dificuldade do que as outras da mesma idade em se concentrar em tarefas que exigem esforço mental? Esta é uma pergunta crucial que contém vários elementos importantes: em primeiro lugar, é necessário saber qual é a capacidade de atenção expectável para cada etapa do desenvolvimento, por outro lado, é necessário sublinhar que a avaliação da capacidade de atenção se deve fazer quando a criança se encontra envolvida em tarefas que requerem esforço mental.
  2. Em que circunstâncias é que a dificuldade em manter a atenção surge: se o défice de atenção é intrínseco à criança, então, o problema dever-se-á manifestar em mais de uma situação ou local, nomeadamente na escola e em casa.
  3. A dificuldade de atenção prejudica a criança de forma clara: ou seja, se sente frustrada por não conseguir acompanhar o ritmo da turma, ou se por outro lado, não consegue manter-se focada numa determinada tarefa.
  4. A quarta questão explica por que razão o diagnostico é clínico, isto é, porque se baseia na interpretação de relatos e observações, e não pode apoiar-se exclusivamente em valores estatísticos obtidos através de questionários ou de qualquer outra medida de natureza psicométrica: a criança deve ser avaliada no seu contexto familiar e escolar, deve desmontar-se e compreender a sua rede de ligações emocionais, hábitos ou idiossincrasias emocionais que tornam aquela pessoa singular.
    É importante sublinhar que os questionários, testes de atenção ou funcionamento executivo, são formas de recolher dados do funcionamento psicológico, mas não permitem fazer um diagnóstico.
    Um dos questionários mais utilizados no processo de diagnóstico desta perturbação são as Escalas de Conners, cujas versões reduzidas, para pais e professores, foram padronizadas para a população portuguesa entre os 6 e os 10 anos de idade. Estes questionários dirigem-se a um conjunto de comportamentos, graduados numa escala de frequência, que permitem obter um perfil comportamental da criança. Os resultados são expressos em valores numéricos e comparados com os obtidos por um conjunto de crianças sem disfunção.
    No DSM V a PHDA, como outras perturbações do neurodesenvolvimento, é definida como uma síndrome, ou seja, como um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem todos juntos, de forma frequente, num mesmo individuo.
    Os critérios atuais requerem a presença de pelo menos seis sintomas de inatenção, seis ou mais de hiperatividade ou impulsividade durante pelo menos 6 meses e com consequências para o funcionamento da criança em pelo menos dois ambientes distintos, como a casa e a escola.
    Exige-se também que os sintomas estejam presentes antes dos 12 anos.
    Se, maioritariamente, existirem sintomas de desatenção, a PHDA define-se como sendo de expressão “predominantemente desatenta”, se a estes se associarem sinais de hiperatividade, chama-se de expressão “mista”, e se existirem maioritariamente sinais de hiperatividade e impulsividade, a PHDA diz-se de “expressão hiperativa-impulsiva”.
    É importante um olhar atento dos pais e se estiverem reunidos os sintomas, procurarem a ajuda de um técnico especializado, que consiga realizar o diagnóstico e ajudar em todo o processo.

3. Porque é que as pessoas têm PHDA?

A dopamina está presente em vários circuitos, nomeadamente na zona do cérebro que se situa por cima dos olhos, e que é responsável por termos juízo: controla os nossos impulsos, antevê a consequência dos nossos atos, determina o que é mais importante e por que ordem devemos realizar as nossas tarefas. Os lobos pré-frontais, assim se chamam essas zonas do cérebro, deverão, em princípio, ser secretárias eficientes, que nos organizam o dia e nos permitem tomar decisões acertadas e racionais.

As dificuldades que estão na origem dos sintomas de PHDA resultam de um funcionamento atípico no que respeita à regulação da atenção e do comportamento, devido a disfunções na regulação de substâncias químicas (chamadas de neurotransmissores) que permitem o funcionamento normal do nosso cérebro.

Se pudéssemos aumentar o nível de dopamina nesses circuitos, talvez estes funcionassem melhor. Na verdade, é o que certos medicamentos fazem: aumentar a disponibilidade da dopamina nos circuitos responsáveis pelas funções executivas, permitindo que a criança se organize de forma mais eficiente, que consiga dirigir a sua atenção de forma sustentada e planeie melhor os seus atos, reagindo de forma menos impulsiva, ou seja, pensando antes de fazer.

Uma forma interessante de olhar para o problema é imaginar a criança com PHDA como sendo um carro sem travões:

  • Incapaz de travar as distrações – desatento
  • Incapaz de travar os desejos – impulsivo
  • Incapaz de travar as ações – hiperativo

4. Principais características de crianças com PHDA?

  • Défice de atenção
  • Dificuldade em controlar os impulsos (impulsividade)
  • Agitação motora (hiperatividade)
  • Dificuldades em seguir regras e instruções
  • Excessiva variabilidade nas respostas às situações
  • Défice primário na inibição comportamental
  • Irrequietude
  • Desorganização
  • Imaturidade
  • Relacionamento social pobre
  • Desajustamento social
  • Problemas/dificuldades de aprendizagem
  • Irresponsabilidade
  • Falta de persistência
  • Culpa frequentemente os outros pela sua conduta disruptiva (locus de controlo externo)
  • Dificuldades em compreender as consequências do seu comportamento.

5. Como podem os pais ajudar?

Os pais devem compreender que, para poder controlar em casa o comportamento resultante da PHDA, é preciso ter um conhecimento correto do distúrbio e das suas complicações. Assim, os pais devem:

1. Pensar antes de agir

O comportamento hiperativo/impulsivo das crianças faz com que muitas vezes os pais reajam também de forma rápida e impulsiva sem pensar nas consequências que os seus atos podem trazer. Por isso quanto mais alternativas pensarem para diminuir determinado comportamento por parte da criança, mais hipóteses terão de manter uma relação estável e saudável. Por exemplo, quando uma criança não consegue ficar quieta na mesa e está sempre a mexer em tudo à sua volta, provavelmente a atitude
mais eficaz será reduzir ao mínimo os estímulos à volta da criança, de forma a que esta
se possa concentrar apenas na tarefa que está a realizar.

2. Usar o reforço positivo antes da punição

É sabido que crianças com PHDA precisam mais de reforço positivo que as outras crianças, para que os comportamentos esperados aconteçam. É importante que os pais se foquem mais em elogiar o seu filho, quando este se consegue comportar adequadamente, do que em depreciar quando não o faz. Isto não significa que os pais devam ignorar as asneiras ou os maus comportamentos dos seus filhos, mas sim, uma inversão na forma como o demonstram e verbalizam. Por exemplo, em vez de verbalizarem à criança aquilo que ela não foi capaz, tentem transmitir-lhe confiança, mostrando-lhe que ela vai ser capaz de fazer o que é expectável para a situação.

3. Ser perseverante nas estratégias

É fundamental para estas crianças que o ambiente seja previsível e constante, com uma rotina diária perfeitamente definida e estruturada. Ambos os pais devem estar de acordo relativamente à estratégia definida e todas as alterações na rotina diária devem ser previamente conversados com a criança.

4. Frequência de uma atividade física regular

A atividade física é fundamental, não só de forma a poderem gastar a energia, mas sobretudo a aprenderem a relacionarem-se com os colegas e a trabalharem regras e limites.

5. Antecipar os problemas

Antecipar o comportamento da criança numa determinada situação, como por exemplo na elaboração de uma lista de objetivos e comportamentos positivos ou num horário de estudo, permite que os pais possam conversar/negociar com o seu filho, incentivando inclusive a sua participação na definição de estratégias a serem implementadas, com vista à adequação do comportamento.

6. Horários de estudo

O tempo de estudo deve ser curto e intercalado por períodos livres, dada a dificuldade que apresentam na atenção sustentada (manter a atenção por um período longo de tempo sobretudo se a atividade não for motivante para a criança em questão). O ambiente de estudo deve ser o mais sossegado possível e com o mínimo de estímulos externos que possam desviar a atenção da criança, para que ela possa manter a sua atenção focalizada na tarefa que está a realizar.

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